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Histórico

19.05.2010 - O Brasil (re)descoberto

O Brasil (re)descoberto

No último final de semana, a Antonio Meneghetti Faculdade (AMF), localizada no Recanto Maestro, recebeu um dos maiores escritores e pesquisadores brasileiros, Jorge Caldeira, para apresentar uma versão da história do País não conhecida pelos brasileiros, durante um módulo especial do MBA Business Intuiton – O empreendedor e a cultura humanista.

 

Durante a manhã, Caldeira conversou com centenas de alunos, empresários e colaboradores da AMF para apresentar partes de seu novo livro História do Brasil com empreendedores (Editora Mameluco, 336 p.), fruto de extensa pesquisa de 12 anos, que comprova uma realidade brasileira no período colonial diferente da ensinada nas escolas. Nessa época, segundo o autor, a figura do empreendedor foi de extrema importância para o desenvolvimento econômico do Brasil, responsável por impulsionar a economia da colônia em um patamar muito mais elevado que a de Portugal.

 

Outro dado impactante apresentado por Caldeira é em relação ao PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro nos anos de 1800: o mercado interno representava 84% da economia do País e apenas 16% vinha da exportação, o que contradiz o modelo de um Brasil sustentado pelo envio de suas riquezas para a Metrópole europeia.

 

Já em relação ao modo de produção, o livro mostra que não eram os grandes latifúndios os responsáveis pela base econômica do País, mas sim a pequena propriedade e os comerciantes que viajavam de Sul a Norte do território para vender produtos e alimentos de cada região. A escravidão, também parcialmente conhecida pelos brasileiros, representava apenas ¼ da população do momento.

 

Mas o que faz o brasileiro ser um empreendedor nato?

 

Para Caldeira, a ideia de empreender é basicamente dar um sentido à vida. Enquanto que na Europa medieval o indivíduo nascia e morria na mesma posição social, no Brasil os índios tupis encaravam a sociedade de outra forma, mais flexível: permitiam, em alguns casos, que uma civilização mais evoluída se incorporasse à sua tribo. Segundo o autor, isso já é uma atitude empreendedora porque visa a mudança, a melhoria da qualidade de vida.

 

Nos dias de hoje, Caldeira observa que o brasileiro – diferente de outras nacionalidades – tem mais clara a visão de “ser dono do próprio destino”, e acaba encarando os desafios de empreender como ferramentas para dar sentido a essa máxima. Tecnicamente, para o autor, até mesmo o catador de lixo dos grandes centros é um empreendedor – dono de seus meios de produção e responsável pelo seu lucro.

 

Educação

 

Segundo o autor, o desenvolvimento de um país está totalmente atrelado à educação e, no Brasil, esse processo de formação educacional se deu muito tarde, por exemplo, com a fundação da primeira universidade só na década de 1930. Em 1889, o Brasil tinha 12% de sua população alfabetizada, frente a 100% na Europa, no Japão e nos Estados Unidos. “Isso significa uma tragédia que dura até hoje porque ainda não nos reconhecemos”, lamenta o autor. “Até 1808, Portugal impediu que qualquer prensa de Gutemberg chegasse à colônia, sufocando qualquer tentativa de disseminação do conhecimento”, complementa.

 

Atualidade

 

Com respostas precisas e esclarecedoras, Caldeira atendeu aos questionamentos do público sobre a política e o empreendedorismo do brasileiro. O pesquisador repudiou a Lei de Cotas, que prevê vagas para estudantes egressos de escolas públicas, em especial negros e indígenas, nas instituições públicas federais de educação superior, dizendo ser um “atentado à história do Brasil, à melhor herança dos portugueses, que nunca havia criado um instrumento legal constituindo que negros podiam fazer isso ou aquilo”, afirmou. Para o autor, a lei pode gerar atitudes racistas que vai de encontro com uma das mais reconhecidas características dos brasileiros: a convivência pacífica de várias raças em um mesmo território.

 

Sobre o atual cenário político, Caldeira se mostrou preocupado com o clientelismo que certos programas do governo vem gerando na população. “Uma coisa é um programa bem edificado, que possui metas claras e uma metodologia; outra bem diferente é entregar dinheiro sem critério, como algo eterno, para beneficiar um político ou líder preferencial”, enfatizou.

 

Mesa redonda

 

Durante a tarde, Jorge Caldeira participou do seminário Empreendedorismo e contribuições sociais: a história do empreendedorismo brasileiro e os novos desafios do empreendedor, ao lado do CEO do Grupo Meta, Telmo Costa, do Diretor de Formação do Instituto de Estudos Empresariais, Ricardo Gomes, e do CEO do Grupo Processor, César Leite. Os palestrantes debateram com cerca de 300 pessoas da região, de todos os níveis sócio-econômicos, no saguão da AMF, os principais desafios enfrentados por um empreendedor, a participação do Estado na economia, os benefícios de começar o próprio negócio e o cenário de crescimento que o Brasil protagonizará nos próximos anos.

 

Os 400 quilos de alimentos arrecadados com o evento, através do ingresso, serão doados para comunidades carentes do entorno.

 

Próxima edição

 

A próxima edição da Revista Performance Líder, especial sobre o Brasil, traz uma entrevista exclusiva com Jorge Caldeira, contando mais detalhes de sua obra e apresentando outra perspectiva sobre o desenvolvimento histórico do Brasil e dos brasileiros.

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publicado em 19/05/2010