Sábado, 19 de Maio de 2012
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Uma nova geração tecnológica tomou conta dos colégios, universidades e escritórios. Até os mais céticos ao uso dos eletrônicos não conseguem mais negar que os tablets vieram para ficar. E os números provam essa revolução. No segundo trimestre deste ano, de acordo com pesquisa realizada pela consultoria americana ABI Research, foram produzidos 13,6 milhões de tablets, ante 7,3 milhões de netbooks, no mundo. Até o fim do ano, a estimativa de entrega de tablets deve ser de 60 milhões, enquanto a de netbooks será de 32 milhões. No Brasil, a perspectiva da empresa de pesquisa GfK é de aproximadamente 450 mil unidades comercializadas até o fim de 2010. Para a consultoria IDC Latin America, que projeta vendas de 500 mil peças, já há um prognóstico de crescimento de 50% em 2012. Esse movimento fez muitas companhias repensarem suas estratégias comerciais e mercadológicas.
A Hon Hai – controladora da chinesa Foxconn –, fabricante global dos produtos Apple, anunciou em abril que o Brasil é a bola da vez. Durante encontro do CEO da empresa, o chinês Terry Gou, com a presidente Dilma Rousseff, houve um acordo de investimento na ordem de 12 bilhões de dólares, em cinco anos, para a construção da fábrica de displays. Essa será a sexta unidade fabril da empresa no País, mas a primeira voltada para tablets. A unidade que será montada, possivelmente em Jundiaí, interior de São Paulo, tem total apoio do ministro Aloizio Mercadante, da Ciência, Tecnologia e Inovação, que participou ativamente das negociações. Com a iniciativa serão gerados mais de 100 mil empregos.
Para montar essa base e conseguir produzir não apenas as telas, mas também o iPad e seus componentes, a Foxconn ganhou dois aliados. A empresa terá como sócios o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o empresário Eike Batista. A primeira etapa da instalação da fábrica deve ter aporte de 4 bilhões de dólares, com 500 milhões de dólares do empresário brasileiro e cerca de 1,2 bilhão proveniente do BNDES. As negociações estão bem avançadas, mas os três lados acreditam que é preciso novos sócios para viabilizar o projeto com mais precisão.
Essa presença da Foxconn e de outras 25 empresas, nacionais e internacionais, interessadas no mercado de tablets, é decorrente da lei sancionada pela presidente, no começo de outubro, que desonera a carga tributária de quem incentivar a economia brasileira. Para isso, é preciso que 25% dos componentes sejam nacionais no primeiro ano e, após três anos, sua composição seja 80% brasileira. Somente quem seguir essas regras tem direito à isenção das alíquotas do PIS e Cofins. Nessa lista, até agora, apenas cinco foram contempladas: Aix, Positivo, Motorola, Samsung e Semp Toshiba. As demais esperam o sinal verde do governo para enquadrar seus produtos à nova regulamentação.
Enquanto os planos de Terry Gou se concretizam para o iPad, Mário Anseloni, presidente da Itautec, coloca em prática, após seis meses de estudos e pesquisas, a fabricação e venda do TabWay, que chega ao mercado voltado exclusivamente para o público corporativo. “Debatemos muito até resolvermos criar essa ferramenta”, conta. “Queremos fugir do mercado final de consumidores, já disputado por grandes fabricantes.” O aparelho tem como meta atuar em diversificados segmentos– a começar por finanças, saúde, automação e educação, sempreassociado a pacotes de aplicativos específicos. No caso da saúde, por exemplo, é possível consultar histórico de exames e internações, além de gerenciar processos administrativos. “O TabWay deve corresponder a 5% das vendas da empresa”, prevê Anseloni ao divulgar que o sistema operacional utilizado é o Android, nos dois modelos comercializados, com telas de 10 polegadas e valor que varia de 1,1 mil reais a 1,6 mil reais.
A Samsung, que há mais tempo atua no mercado de tablets nacionais, fabrica, desde setembro, do ano passado, em Campinas, o Galaxy Tab, porém como celular. A partir das novas regras governamentais, em julho desse ano, a empresa ganhou direito para modificar dispositivos e transformá-los em um verdadeiro tablet. Hoje, disponível em três versões – telas de 7, 8.9 e 10.1 polegadas – e cinco modelos, deve ganhar novas vertentes. “Queremos lançar uma série de tamanhos”, realça Benjamin sicsú, vice-presidente de Novos Negócios da Samsung. “Ainda é um produto muito recente, que está começando, o que demandará estudos e pesquisas.” Para o executivo, a concorrência é muito saudável. “Quanto mais gente produzindo, haverá um estímulo de inovação. São produtos complicados de se produzir e é preciso alto investimento e mão de obra especializada. Como o grau de nacionalização exigida é crescente, há uma necessidade eminente de aportes.”
A Positivo Informática, que investiu mais de 60 milhões de reais em pesquisa e desenvolvimento nos últimos anos, lançou em setembro o Ypy, idealizado em Curitiba. “Com os incentivos, tentaremos manter o valor do Ypy abaixo dos mil reais”, conta Hélio Rotenberg, presidente da Positivo. Já a Motorola, que iniciou sua linha de produção do Xoom, em Jaguariúna, interior de São Paulo, em abril, foi uma das primeiras a reduzir os valores dos aparelhos para o consumidor final após ser enquadrada na lei, em agosto. O modelo 3G do Xoom, que antes custava 2.299 reais, passou para 1.999. Com todo incentivo, o Brasil entra com força no mercado de desenvolvimento tecnológico mundial.
Fonte: Lide