Sábado, 19 de Maio de 2012
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A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo. Começo este artigo com a frase que encerrei meu discurso de posse, porque a citação de Peter Drucker define o desafio de assumir a mais importante entidade representativas das empresas de Tecnologia da Informação no Rio Grande do Sul e a vontade de fazer acontecer todos os sonhos que embalaram uma formação acadêmica e a iniciação empresarial.
Não é fácil, disso estamos cansados de saber. O que ainda não colocamos em prática é o que sabemos há muito: que juntos somos mais fortes. É por isso que deste a noite de 23 de novembro venho insistindo no grande objetivo de abrir a discussão sobre este tema de fundamental importância para o futuro do estado, do Brasil e por um setor de TI mais forte, competitivo e estratégico. Por isso, volto a reiterar o convite às entidades parceiras, aos poderes públicos, às universidades, aos polos tecnológicos, a imprensa especializada, aos empresários, enfim, a todos aqueles que são sensíveis a esta proposição, a se engajarem conjuntamente com a Assespro-RS para formar uma grande frente, positiva e convergente, no objetivo da criação deste marco legal, focado num setor de TI forte, competitivo e estratégico.
Base nós temos. São 240 empresas associadas, distribuídas em mais de 45 municípios, somando, em média, 12.000 colaboradores residentes só no Rio Grande do Sul.
Dezenas de empresas associadas e gaúchas com operações fora do Brasil; e mais de dois mil jovens capacitados, nos últimos quatro anos, a partir de projetos de formação apoiados e idealizados pela Assespro-RS. Nossa regional tem taxas médias anuais de crescimento de seus associados, superiores a 20%. Todos aqueles que já convivem com ações e projetos liderados pela Assespro sabem que estamos à frente de um setor altamente inovador, jovem, competitivo, com a segunda melhor média de distribuição de renda familiar dentre os mais de 44 setores econômicos analisados pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), e que cresce em faturamento, número de empregos e de empresas. Então, qual seria o limite a superar, se tudo parece andar bem ou muito bem é a questão.
Precisamos mudar nas atitudes, nas gestões e nas ações de nosso dia a dia. Basta de retórica. Sim, podemos mudar a matriz econômica deste estado, para transformar o Rio Grande do Sul em referência tecnológica para o mundo e sermos produtores de conhecimento especializado com serviços de alto valor agregado. Para tanto, a TI brasileira, de forma geral, ainda necessita ultrapassar algumas barreiras, naturais, a um setor tão jovem. Como tal, faltam algumas conquistas obrigatórias e fundamentais para o crescimento sólido e vigoroso. Cinco delas, que considero essenciais e que serão objeto de muito empenho e trabalho desde já, são meu compromisso pessoal para com minha diretoria e com os líderes empresariais, associados da Assespro-RS. A primeira delas começa pela necessidade de representatividade política e união empresarial. Ainda não temos a força e representatividade política que nos permitam avanços rápidos. Somos carentes de articuladores políticos alinhados com nossas demandas. O setor precisa fazer valer sua união e força na construção de programas de governo, independente de ideologias partidárias, que tenham a Tecnologia da Informação como um dos pilares de sustentação do crescimento para este estado e para o Brasil.
O setor precisa de uma lei de incentivo a produção de Software Brasileiro e também clama por mão de obra qualificada! Faltam profissionais capacitados todos os dias em nossas empresas. Só no último mês de outubro, em pesquisa mensal realizada com associados da Assespro, haviam 330 vagas em aberto nas mais diversas especializações. Estima-se que só no Rio Grande do Sul faltarão mais de cinco mil profissionais até 2014 e, no Brasil, mais de cem mil.
Temos no RS uma vocação exportadora. Devemos aproveitar o momento e esta janela de oportunidade para avançar e liderar este processo, a nível nacional, criando programas estaduais de formação de capital humano, juntamente com a Secretaria de Ciência e Tecnologia ou com as secretarias municipais de ensino. Coréia do Sul e Cingapura, para citar apenas dois países menores do que o RS, fizeram da inovação uma prioridade. Não é possível para um setor que quer atuar globalmente, de forma transversal em todos os segmentos da atividade econômica, ser pujante e competitivo, tendo que suportar um ônus superior a 100% de impostos em sua própria matéria-prima, que é o conhecimento humano. Foi com uma medida simples, como esta, que a Índia iniciou seu processo de expansão e ocupação global no campo tecnológico.
Podemos marcar nossa posição, no cenário mundial, se agirmos com rapidez.
Por fim, e não poderia deixar de citar, ainda não temos uma Cadeia Produtiva de TI, a exemplo do que ocorre com a GM e seus sistemistas, ou do benefício legal que o setor da construção civil possui quando subcontrata o projeto elétrico, o hidráulico, o arquitetônico com empresas distintas. Na TI, somos impedidos de realizar projetos colaborativos entre empresas com diferentes especializações, por força de lei.
Obrigatoriamente, necessitamos, como setor, criar uma corrente produtiva, onde seus elos possam ser formados por empresas nacionais e multinacionais, atuando juntas de forma harmônica. Justificando assim, por exemplo, a convivência sadia em regiões de alta concentração de polos tecnológicos, onde, hoje, a competição por talentos se acentua de forma desproporcional e pode comprometer o bom convívio entre organizações parceiras.
São esses alguns dos entraves que precisamos ajustar para que nossa velocidade, competitividade e faturamento atinjam patamares internacionais. Não há como ser diferente. Devemos enfrentar, sem medo, com muita coesão, a realidade que hoje nos desfavorece, como empresas nacionais, no sistema global. Entendemos que a melhor maneira de fazê-lo, a curto e médio prazo, será com a criação de um marco legal para o software brasileiro, que verse sobre todos esses pontos. A proposta é abrir a discussão deste tema de importante e essencial para o futuro do RS e do Brasil. Desejo que a sociedade, assim como eu, clame por um setor de TI mais forte, mais competitivo e mais estratégico para o nosso país.
Reges Bronzatti é Presidente da Assespro-RS, eleito para a gestão 2011-2012