Sábado, 19 de Maio de 2012
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As causas da inflação de curto prazo estão relacionadas com fatores que elencam a taxa de crescimento do dispêndio total ou reduzem a taxa de crescimento do produto real em curtos períodos de tempo. Os principais fatores são: uma elevação do déficit público, do consumo ou do investimento, que aumentam a velocidade da moeda e um choque de oferta negativo, que reduz a taxa de crescimento do produto real. Um aumento da oferta de moeda de uma só vez provoca um aumento de inflação de curto prazo, pois considera-se que os preços se elevam até que o nível de preços de equilíbrio de longo prazo seja alcançado.
A inflação de longo prazo é um processo ao longo do tempo de elevação do nível de preços e tem origem em elevações persistentes da oferta de moeda. Milton Friedmann, o pai da teoria quantitativa da moeda, a considerava sempre um fenômeno monetário, com a famosa equação MxV=PxQ, onde M é a quantidade de moda, V é a velocidade de circulação, P são os preços e Q o Produto Real (quantidades produzidas). O lado esquerdo desta equação representa o dispêndio total de bens e serviços, enquanto o lado direito representa a demanda nominal total por bens e serviços. Essa equação pode ser transformada em uma equação de taxa de variação: M+v=π +y onde m é a taxa de crescimento da quantidade de moeda, v a taxa de variação da velocidade e π a taxa de inflação e y a taxa de variação de crescimento do produto real, reescrevendo para a taxa de inflação tem-se π= m+v-y.
Dessa maneira, sempre que a taxa de crescimento monetário mais a taxa de crescimento da velocidade da moeda exceder a taxa de crescimento do produto real, a taxa de inflação será positiva. Em outras palavras, se o dispêndio total crescer mais rapidamente do que o produto real agregado, a taxa de inflação será positiva. Assim, uma elevação da taxa de expansão monetária, ceteris paribus, lava a um aumento da taxa de inflação. Igualmente, uma elevação da velocidade de circulação da moeda, provocada, por exemplo, por uma onda de otimismo que leva o dispêndio em consumo ou investimento, também leva a um aumento da taxa de inflação.
Assim, uma inflação de longo prazo só é possível se a taxa de crescimento monetário for sistematicamente maior que a taxa de crescimento do produto. São os Bancos Centrais quem determinam a taxa de expansão monetária e, certamente não têm como objetivo gerar taxa de inflação elevada. Através da busca de outros objetivos, como um nível elevado de emprego e o financiamento do déficit público com emissão monetária, provocamo aumento de preços. Daí o famoso dilema inflação e desemprego, identificado pela Curva de Phillips, a qual observa a existência de uma relação inversa não linear entre os níveis de emprego e as taxas de inflação.
Deve-se considerar também que eventos monetários influenciam a taxa de câmbio tanto pela mudança da taxa de juros quanto pela mudança das expectativas das pessoas em relação às taxas de câmbio futuras. As expectativas sobre taxas de câmbio futuras estão ligadas fortemente às expectativas dos preços monetários futuros dos produtos dos países; esses movimentos de preços, por sua vez, dependem de mudanças da oferta e demanda de moeda. Ao examinar as influências monetárias sobre a taxa de câmbio, pode-se constatar como fatores monetários influenciam os preços da produção com suas taxas de juros. Sabe-se também, que um aumento na oferta de moeda de um país leva sua moeda a ser depreciada no mercado de cambio e, inversamente, uma redução na oferta de moeda de um país faz com que sua moeda seja apreciada no mercado de câmbio.
No Brasil, a preocupação com a inflação apresenta-se de forma proeminente no debate e na conseqüente adoção de políticas econômicas. A partir da década de 1960 até o Plano Real, período marcado por hiperinflação. Dessa maneira, acompanhar a variação dos preços tornou-se, além de uma necessidade básica e primária para determinar políticas macroeconômicas, um instrumento de apoio para entender a economia brasileira. Assim, inúmeros índices de preços foram desenvolvidos para monitorar ou reajustar os principais preços da economia, O índice que o Banco Central do Brasil utiliza para gerir o sistema de metas de inflação é o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Agregado, o qual vem apresentando elevação em patamares acima de 6% ao ano, desde o terceiro trimestre de 2010 e impacta as estimativas dos agentes , pressionado os técnicos da Política Monetária a agir sob pressão com medidas de curto prazo, longe do horizonte clássico e esquecendo o monetarista Friedmann.
Os dados mais recentes apontam arrefecimento por conta da queda dos preços agropecuários, e, logo, dá uma folga ao poderoso vilão petróleo, que despercebido, insere um choque de preços no mundo inteiro e lá se vão os técnicos do Banco Central para o receituário do dia a dia: compra de dólares para manter o valor de algo que inevitavelmente continua desvalorizado.