Sábado, 19 de Maio de 2012

Cadastrar


Nome*:



Senha*:

Confirme a senha*:

* Campos Obrigatórios

X

Cadastro efetuado com sucesso.

Aguarde! Uma confirmação será enviada para o e-mail cadastrado.

Obrigado!

Atenção! Preencha o campo abaixo com o email cadastrado para solicitar uma nova senha.




X

Aguarde! Dentro de algumas horas uma nova senha será enviada para seu email.

Obrigado!

Últimos Artigos

Qual é a responsabilidade do agronegócio em ser ambientalmente sustentável? | Por Ademar Silva

Quarta-feira, 20 de Novembro de 2011

Qual é a responsabilidade do agronegócio em ser ambientalmente sustentável? | Por Ademar Silva

Dos empreendedores rurais se cobra a produção com sustentabilidade ambiental e social. As discussões em torno da aprovação do novo código florestal ocupam os jornais e telejornais, além dos debates políticos e entre os intelectuais, e responsabilizam as lideranças para serem ambientalmente corretas e socialmente justas. O termo é repetido à exaustão.

 

O conceito de ser sustentável foi introduzido no início da década de 1980 por Lester Brown, fundador do Worldwatch Institute, entidade que se destaca na promoção de uma sociedade ambientalmente sustentável, onde as necessidades humanas sejam atendidas sem ameaças à saúde da natureza. Essa instituição busca atingir seus objetivos através de pesquisas interdisciplinares e apolíticas, montando cenários sobre as emergentes questões globais, e difundindo os resultados através de publicações, editadas em vários idiomas. Define comunidade sustentável “como a que é capaz de satisfazer às próprias necessidades sem reduzir as oportunidades das gerações futuras.” (CAPRA in TRIGUEIRO, 2005, 19).

 

Outra definição traz a sustentabilidade como “a propriedade de um processo que, além de continuar a existir no tempo, revela-se capaz de: manter padrão positivo de qualidade, apresentar, no menor espaço de tempo possível, autonomia de manutenção (contar com suas próprias forças), pertencer simbioticamente a uma rede de coadjuvantes também sustentáveis e promover a dissipação de estratégias e resultados, em detrimento de qualquer tipo de concentração e/ou centralidade, tendo em vista a harmonia das relações sociedade-natureza”. (www.sustentabilidade.org.br)

 

Discursos prontos em relação aos empreendedores rurais, a sustentabilidade já passou do modismo e virou jargão. Entretanto, uma rápida pesquisa no dicionário mostra que “sustentabilidade” vem da palavra “sustentar”, que significa “apoiar, servir de escora a alguma coisa, suportar” (Aurélio, 4. ed. 2009). Oriundo da latim “sustinere”, de “sub” = “aguentar, apoiar, suportar”, e “tenere” = “abaixo”. O sinônimo, quando analisamos o conceito de sustentabilidade ambiental, seria a habilidade de “manter” a sociedade como está, sem mudanças/transformações do meio ambiente. Será que é isso que se quer transmitir quando dizemos que a atividade agropecuária brasileira é ambientalmente sustentável? Será que o meio ambiente serve de escora para que não sejamos responsáveis pelos avanços que queremos atingir?

 

Para responder esses questionamentos é necessário ir mais a fundo na psicologia e na história da produção rural no Brasil, principalmente na responsabilidade das lideranças empresariais rurais que sempre se “sustentaram” em tropeços e se sabotaram em momentos de crescimento do agronegócio brasileiro.

 

Basta analisarmos todas as crises pela qual o setor rural brasileiro atravessou. No início do século passado, éramos os maiores produtores de borracha do mundo, os únicos, pois só as nossas terras tinham tal exclusividade. Hoje, somos um país dependente com uma produção de 100 mil toneladas e consumidor de 320 mil toneladas de borracha natural/ano. A Inglaterra contrabandeou as mudas de seringueiras e a Ásia passou a produzir e tornou-se o maior produtor e exportador de borracha.

 

Com o café, a história se repete. O espírito empreendedor dos produtores brasileiros, na época da colônia, trouxe as primeiras mudas de café da Guiana Francesa para o País. Com o alto consumo do café no resto do mundo, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, o “ouro negro” tornou-se um dos produtos mais rentáveis para os produtores e a monocultura passou a ser quase que a totalidade das fazendas brasileiras. O resultado disso foi excesso do produto e falta de consumidores.

 

A história também mostra que a riqueza brasileira vem da produção. O Brasil foi descoberto em 1500, ao passo que o ouro foi encontrado apenas no final do século XVII. Nossas “jazidas” já estavam na produção agropecuária e mesmo com todos os deslizes e ingenuidade das lideranças rurais nos mantivemos à frente. Só que força de vontade e vocação não superam o desaforo de sermos “ingênuos”.

 

É preciso desmistificar o ambientalmente correto do sustentável. É inegável que a produção rural sempre se preocupou com o meio ambiente, com o uso dos recursos naturais, mas a questão de preservação vai além: é tornar a atividade tanto rural, quanto urbana, harmônica. Mas antes disso é necessário que nos responsabilizemos para que tenhamos a reciprocidade em nossos negócios.

 

O tema tão dilacerado da sustentabilidade ambiental entre a população absorve as lideranças rurais, vira bandeira de progresso e sucesso, sem que se quer questionemos o seu significado e a intencionalidade que a palavra ocupa no inconsciente. A análise é que sempre os empreendedores do setor foram seus próprios sabotadores, pela ingenuidade de não acreditarem no seu business e na sua intuição. Nós, empresários do agronegócio, temos de nos responsabilizar e sermos o protagonista do nosso negócio.

 

O que acontece é que nos deixamos inebriar, tendemos ao senso comum e o agronegócio acredita num discurso que não é real. O produtor rural, por exemplo, sempre se utilizou da coexistência com o meio ambiente para prosperar. Aprendeu que esgotar as fontes é o fim do seu negócio, da sua empresa. Logo, esse discurso de “sustentabilidade ambiental” já acontece há tempos no agronegócio brasileiro. As lideranças rurais não podem acreditar que fazem o contrário, agarrando-se a um discurso completamente equivocado.

 

A necessidade de preservarmos a natureza certamente é inerente ao ser humano. Mas até que ponto essa tal sustentabilidade muda o foco das ações produtivas e evolutivas da sociedade e coloca outra prioridade à necessidade do ser? Não é justificável que a sustentabilidade ambiental seja novamente uma desculpa para a autossabotagem. Os empreendedores rurais, aqueles que realmente têm vocação, não podem se esconder atrás de um discurso niilista, que é mais pautado pela fé e pela paixão do que pela objetividade do negócio. Nós, lideranças rurais, precisamos ser pontuais e simples. Retirar a nuvem que nos cega e nos entregar para o que é o nosso core business. É, por isso, que se for preciso, incluiremos o chavão da sustentabilidade como parte do negócio e vamos transformá-lo também num mote para o sucesso.

 

Ademar Silva Junior – empresário, produtor rural, vice-presidente de Finanças da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente do Conselho Administrativo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de MS (Senar/MS)

 

compartilhar:
compartilhar


publicado em 20/11/2011