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Psicologia da Pobreza | por Telmo Costa

Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2010

Psicologia da Pobreza | por Telmo Costa

Nunca estivemos tão perto de diminuir a distância que nos separa dos melhores do mundo. O Brasil tem uma nova oportunidade de conquistar um lugar de destaque no cenário internacional. Estamos sendo beneficiados pelo mercado mundial expansivo e crescente. Esta é a hora do nosso país demonstrar seu valor de forma definitiva. Ao longo dos últimos 12 anos, com trabalho sério e contínuo, recolocamos a economia no rumo. Certamente faltam reformas estruturais na política, na área trabalhista, tributária etc., mas essas já são situações conhecidas que serão mapeadas, e em seu tempo organizadas. Aliás, já estamos fazendo algumas mudanças. O desafio, entretanto, vai além da economia e da política. É crucial a mudança de um estereótipo enraizado em nossa cultura. 

 

Criamos ao longo de mais de 500 anos uma cultura que diminui o papel do indivíduo e sua responsabilidade, o valor do trabalho, a importância dos deveres como contrapartida de direitos, o dinheiro como resultado de trabalho honesto e lucro como proficiência. Tornamos o indivíduo não responsável  por suas opções e criamos assistências que funcionam como justificativas para as decisões erradas ou para as dificuldades e percalços naturais de qualquer ação. O motivo pelo qual as coisas não dão certo varia com o tempo e a ocasião: ora são nossos pais ou irmãos, ora professores ou a escola, no trabalho o problema é o chefe ou o colega, depois é o mercado, a política etc. A estrutura conceitual é sempre a mesma: passamos para outrem a intransferível responsabilidade individual.  

 

Desse modo ensinamos que o indivíduo está à mercê das situações, tornamos tabus assuntos naturais como a riqueza, a competitividade, o livre exercício da força de vontade, a ambição, o lucro. 

 

É comum dizermos que os ricos são responsáveis pela sua riqueza, entretanto achamos que os menos aquinhoados não são responsáveis por suas dificuldades. Sempre os infortúnios ocorrem por situações alheias, nunca por uma escolha, uma opção. A visão que a sociedade brasileira tem do lucro é pejorativa, como se o lucro fosse sinônimo de vantagem sem mérito, fruto de algo escuso ou exploração de pessoas. A maioria das novelas, filmes, artigos e estudos passam uma imagem deturpada do empreendedor. Isso é um estereótipo, uma distorção.  

 

O lucro de uma empresa representa seu indicador de sanidade e eficiência perante sócios, colaboradores, concorrentes e consumidores. Usando uma analogia, o mesmo raciocínio vale para o indivíduo. Em culturas mais maduras a rentabilidade de uma empresa, bem como a capacidade de um indivíduo de prosperar, está no topo da escala de valores da sociedade. Criar oportunidades de trabalho, gerando resultado, e pagar imposto são valores fundamentais. A pessoa que se destaca financeiramente serve de modelo, referência, inspiração. Deve ser exemplo pedagógico para demonstrar que é possível realizar seus objetivos e colaborar realmente com o desenvolvimento da sociedade.  

 

Nós, brasileiros, precisamos trabalhar sem culpa ou vergonha de ganhar dinheiro, pois o dinheiro é instrumento para nos tornarmos pessoas melhores. Enquanto predominar a idéia de que há virtude na pobreza, enquanto a nossa sociedade amar e cultuar a pobreza não poderemos entender que é indispensável criar riqueza para reduzir a pobreza. Se Deus é brasileiro, vamos aproveitar melhor esse benefício e construir hoje o Brasil do presente. Um Brasil presente. Um presente para o futuro.  

 

Telmo Costa é empresário, membro do Movimento Brasil Competitivo e ex-presidente do IEE

publicado em 23/01/2010

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