Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

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FHC: O ônus e os limites do poder

FHC: O ônus e os limites do poder

Como personagem que mudou a história dos últimos 25 anos do Brasil, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, FHC, é um homem que se mostra simples. E cativa as pessoas por sua tranqüilidade, simpatia, bom humor e, sobretudo, inteligência. Nesta entrevista exclusiva dada à Performance Líder, nas dependências do instituto que leva seu nome, FHC fala com a desenvoltura, peculiar daquelas pessoas que carregam uma alta bagagem cultural, sobre o ônus e os limites do poder; as perspectivas do Brasil no mundo globalizado; sobre ser ator na política; liderança; formação; intuição... 

 

Globalização

 

"O Brasil passou razoavelmente bem nessa prova da globalização. Era um país de economia fechada, que na verdade começou a se abrir faz pouco tempo. Na verdade, o governo Collor deu o primeiro “sacolejão”. Foi em um mau momento, onde a inflação era galopante. Não tínhamos Estado, prejudicado por anos e anos de inflação. Foi um momento de muita dificuldade. Conseguimos primeiro acabar com a inflação, segundo repor o aparelho do Estado. Aprendemos a lidar com um mundo que não conhecíamos. Viemos de uma grande transformação dos anos 1970, de crescimento muito forte. Época do conhecido Milagre Econômico. Mas, o regime era autoritário. Não dava atenção à educação, à saúde, reforma agrária, previdência social, nada disso. Concentrava só no econômico. Nos anos 1980, quando iniciava a transformação democrática, as pressões aumentaram de todo lado. O governo ficou em uma situação muito difícil, sem dinheiro e também sem recursos para investir na economia que era fechada. Dos anos 1990 até hoje foi realizada uma grande m  ificação, da inserção do Brasil no  mundo."

 

Educação

 

Não conseguimos fazer até hoje realmente uma revolução educacional. Melhoramos, demos acesso à escola. Mas, o número de horas que a criança fica na escola é insuficiente e a formação do professor é deficiente. Melhorou, houve incentivos. Está havendo um salto grande agora, com a Secretaria de Educação de São Paulo. Precisa de recursos, mas não apenas. Não adianta aumentar os salários, pois não acarreta automaticamente uma melhor qualidade, sendo necessário o comprometimento. Não sou educador, fui professor, não me dediquei à questão pedagógica, educacional, mas acho que precisamos ter coragem de não ensinar o que não é preciso. Se aprende muita coisa de gramática que não vai se usar nunca. No exterior, pode-se estudar grego, violino e matemática, e só vai se aprofundar mais adiante. Aqui se escolhe a carreira no começo da vida, aos 18 anos. Aqui há lugares que faltam vagas e outros que sobram. Ainda há muito a fazer.   

 

Liderança

 

O mundo empresarial criou lideranças, indiscutivelmente. E o mercado cresceu tanto que atraiu os melhores profissionais. Muita gente boa sai do setor púbico, porque ele não atrai, não paga bem e é burocrático. E não se renovou a liderança política suficientemente. Sem falar dos processos sobre políticos e administradores públicos. Quando saí da presidência tinha uns duzentos e poucos, agora está ótimo, tenho um pouco mais de cem. São processos sem base, muitas ações populares. Mas, tem de pagar advogado. O fato é que não houve uma renovação política na mesma proporção em que houve a renovação empresarial. Houve renovação também nos setores universitário, cultural. Não houve renovação nos setores político e sindical. São setores que estão um pouco mais atrasados.  

 

Leia na íntegra na edição impressa

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