Domingo, 05 de Fevereiro de 2012

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Antonio Meneghetti: um homem multifacetado

Antonio Meneghetti: um homem multifacetado

O italiano Antonio Meneghetti é um ser múltiplo, difícil de ser encarado sob um único prisma. Artista de sensibilidade ímpar, doutor em Sociologia, Filosofia, Teologia e Psicologia, Meneghetti, ao longo de sua vida, voltou-se também para a área corporativa. Presta consultoria a governos e empresas, inclusive no Brasil, mostrando-se intimamente ligado à realidade do País. Uma saborosa conversa sobre temas como liderança, poder, dinheiro, o perfil dos jovens empresários brasileiros, entre tantos outros assuntos, revela opiniões fortes, às vezes polêmicas, mas, sobretudo, inteligentes.

 

Identidade

 

“O Brasil finalmente está crescendo e, em três ou quatro anos, será uma das primeiras nações econômico-políticas do mundo. Os brasileiros estão começando pouco a pouco e este governo proporciona a evolução a todos. Há dois fatores de impedimento: um é a ausência da autonomia como nação – há demasiado absolutismo do Nordeste do Brasil. Faltam as identidades culturais gaúcha, paulista, catarinense etc. Se essas culturas também fossem difundidas no mundo, assim como é a cultura do Nordeste, o Brasil já teria uma outra imagem, uma outra dimensão. Dá-se atenção excessiva ao que vem da ‘Amazônia’ e isso já é perder tempo. Outro fator vem de quando o cruzeiro não valia nada. Ainda hoje existem contratos feitos pelo governo com os bancos dos Estados Unidos. Quando vocês dizem ‘temos uma dívida, temos um débito internacional’, com quem é esse débito? Por que não se diz com quem é? Até hoje existem contratos que ainda condicionam o Brasil aos Estados Unidos!”

 

Empresariado brasileiro

 

“Diferentemente da época dos fazendeiros, os jovens empresários de hoje são excelentes. Começam a se desenvolver sozinhos. O empresário jovem de hoje, a partir do interesse do seu business, começa a ter outras relações com outras empresas, com multinacionais, com empresas tecnologicamente mais avançadas. Na consultoria empresarial que fiz este ano no Brasil dizia para eles investirem não na América Latina, e sim nos países do norte da Europa. Atualmente, o empresário brasileiro é capaz de fornecer um serviço tecnológico, empresarial, dentro dos grandes países tradicionais, como Itália, França e Alemanha. O Brasil, se superar o medo de bambino, é capaz de oferecer o serviço que a Europa precisa. Com as garantias que a Europa sabe dar. Nisso a Europa é segura. Pela primeira vez comecei a dizer ‘invistam na Europa’. Porque os brasileiros sabem fazer e a Europa paga bem. Isso significa que a nova geração de empresários – aqueles com menos de 50 anos – está mudando, desenvolvendo-se na lógica de mercado. Porém, estão um pouco sozinhos. Faço meus cumprimentos aos jovens empresários.”

 

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