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Malta: um mosaico sob o céu mediterrâneo

  • Foto do escritor: Performance Líder
    Performance Líder
  • 19 de ago. de 2025
  • 5 min de leitura

Tão pequena! Tão azul! Tão bela! E um vínculo indissolúvel com uma milenar história, a história do Mediterrâneo e das suas múltiplas almas. Malta é um arquipélago composto por 15 ilhas, das quais somente três são habitadas: Malta, Gozo e Comino, ainda que esta com apenas um último habitante! Esse pequeno pedaço de terra entre a Sicília, a Tunísia e a Líbia é uma janela para o passado, farto de histórias de civilizações que, ao longo do tempo, se entrelaçaram em uma cultura vibrante.

O nome deriva do grego Mελίτη, que significa “doce”, e foi escolhido devido à forte presença de abelhas que produziam um delicioso mel. Sua história começou há nove mil anos, com os lendários descendentes de Atlântida. Novos ventos trouxeram os fenícios, que transformaram o arquipélago em um refúgio comercial em meio ao vasto Mediterrâneo. Sob a conquista romana, houve grande prosperidade: navios atracavam, trazendo consigo não apenas riquezas, mas também sementes do cristianismo. Após a queda de Roma, a ilha recebeu os bizantinos, os árabes e os normandos, criando uma rica tapeçaria cultural que ainda hoje se faz presente.

Mas foi a chegada da Ordem dos Cavaleiros de São João, em 1530, que transformou Malta em um farol de poder e cultura. O Grande Cerco de 1565 tornou-se uma lenda de resistência, onde a bravura dos cavaleiros fez frente contra as forças otomanas, inscrevendo-se nas páginas da história como um triunfo da coragem. No século XVIII, a Ordem enfrentou conflitos que a desgastaram, abrindo espaço para ocupações temporárias por parte das tropas de Napoleão. Em seguida, Malta se tornou um protetorado britânico que deixou como herança a língua e a mão inglesa. Desde 1964, Malta é uma república e faz parte da Commonwealth.

A história de Malta é, por si só, um refinado entrelaçamento de influências – como o coquetel St. Elmo, criado em homenagem ao lendário Grande Cerco. A receita, simbólica, combina Bajtra – o licor de palma-doce que evoca a alma maltesa –, gim inglês, Cointreau francês, limão pela acidez da luta, e suco de framboesa, alusão ao sangue derramado. Cada ingrediente, um povo; cada nota, uma batalha. Juntos, revelam não apenas um sabor, mas a essência vibrante de um arquipélago forjado na resistência e na convergência cultural sob o céu Mediterrâneo.


Bem-vindos à singular Malta!


VALLETTA – CAPITAL DA RESILIÊNCIA

Com um centro histórico declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e definida como capital da cultura, Valletta tem apenas 6 mil habitantes e menos de 1 km de extensão. É a menor capital da Europa. Foi construída entre muralhas em 1566 pelos Cavaleiros da Ordem de São João, em uma península cercada por duas enseadas naturais: Marsamxett e Grand Harbour. Ao cruzar os portões imponentes, somos imediatamente recebidos por uma arquitetura grandiosa, onde cada pedra conta a história de uma batalha contra o inimigo. Conserva-se, na Catedral de São João, a única pintura reconhecidamente assinada pelo grande pintor italiano Caravaggio: Decapitação de São João Batista. Máximo expoente da pintura barroca, a assinatura de Caravaggio está no sangue que escorre da garganta de São João.


OS CAVALEIROS DE MALTA

A Ordem dos Cavaleiros de São João foi fundada em Jerusalém por mercadores de Amalfi, no sul da Itália, em 1099, durante a Primeira Cruzada. A Ordem começou como uma confraria dedicada a acolher, alimentar, cuidar e hospedar peregrinos e doentes que chegavam à Terra Santa. Era composta por cavaleiros de diferentes regiões da Europa, organizados por “línguas” (divisões nacionais): França, Provença, Auvergne, Itália, Alemanha, Aragão, Inglaterra e, depois, Castela e Portugal. Essa diversidade exigia rígida hierarquia e disciplina, mas também fez da Ordem um centro diplomático e culturalmente sofisticado, falando várias línguas e negociando com reinos distintos. Com o tempo, à medida que a luta contra os muçulmanos se intensificou, a Ordem evoluiu para uma instituição militar, recebendo o título de Ordem dos Cavaleiros Hospitalários. Em 1530, Carlos V da Espanha concedeu Malta aos Cavaleiros.


TEMPLOS MEGALÍTICOS

Em 5200 a.C. as populações neolíticas locais levantaram-se com uma ambição primordial: erguer templos que falassem com as estrelas. Mais antigos que as pirâmides do Egito e que Stonehenge, Ggantija, na ilha de Gozo, e Hagar Qim, na ilha de Malta, surgiram, majestosos e silenciosos. Hagar Qim revela alinhamentos astronômicos com os solstícios e foi construído com blocos de até 20 toneladas, transportados sem o uso da roda. Ggantija significa “torre dos gigantes”; segundo o folclore local, uma gigante que comia apenas feijão e mel deu à luz um filho de um homem do povo. Com a criança pendurada no ombro, ela construiu esse templo e o utilizou como local de culto à fertilidade.


COMINO

Essa misteriosa ilha de águas transparentes e repleta de enseadas é perfeita para um contato autêntico com o mar. É uma reserva natural e santuário de aves, com flora típica do Mediterrâneo e várias espécies migratórias. A Lagoa Azul e a Lagoa Cristal oferecem águas azul-turquesa que mudam de tonalidade dependendo da incidência de luz, do tipo de pedra ao redor e do tipo de fundo marinho em que se encontram. É um convite irresistível a um mergulho revigorante, enquanto arbustos de tomilho e alecrim perfumam o ar e convidam a abrandar o ritmo.


VICTORIA

Localizada no centro de Gozo, essa cidade parece esculpida pelas mãos de um artista. Também conhecida pelo nome tradicional, Rabat, a cidade foi rebatizada como Victoria em 1887, em homenagem ao Jubileu de Ouro da Rainha Vitória, durante o período de domínio britânico. Do cimo de uma colina, exala o encanto das fortalezas medievais. Aqui ergue-se a majestosa Cidadela, que faz lembrar a importância estratégica da ilha no xadrez global da época. Com vários pontos panorâmicos em Gozo, como o farol Ta’ Gurdan, construído durante a dominação britânica, obtêm-se visões amplas de onde se pode contemplar o mar e as suas maravilhas.


MDINA

Mdina é a antiga capital árabe de Malta, conservando o traçado sinuoso das cidades árabes, com seus mercados labirínticos e artesãos do vidro. É conhecida como a “Cidade Silenciosa” porque o trânsito de carros e ônibus é restrito, contribuindo para uma atmosfera tranquila e pacífica. Cercada por altas muralhas que possibilitam vistas panorâmicas das áreas circundantes, Mdina é um imponente exemplo de arquitetura medieval. Situada no coração de Mdina, a Catedral de São Paulo é um testemunho do impacto da fé na vida maltesa. Sua extraordinária arquitetura barroca e os afrescos vibrantes que adornam seu interior revelam as narrativas de um povo que enfrentou desafios e emergiu vitorioso.


SUL DE MALTA

Longe do burburinho turístico do norte da ilha, o sul de Malta se revela como um santuário de serenidade imperturbável. Delimara Point se estende em falésias imponentes que encontram o azul profundo do Mediterrâneo, e o farol – como um guardião silencioso – vigia o horizonte que abraça o lugar. Seguindo pela costa, entre caminhos de pedra e brisa salgada, descobre-se St. Peter’s Pool – uma piscina natural esculpida nas rochas, onde águas cristalinas brilham em tons de azul e turquesa, oferecendo um refúgio tranquilo entre falésias. Mais adiante, a Blue Grotto surge intensa e imaculada: suas águas translúcidas absorvem a luz do sol, formando um espetáculo de reflexos e cores. Em cada feixe de luz, o mar calmo e imponente se revela como um portal que sussurra os ecos de um passado ancestral.

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