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A metafísica do business: Os Cavaleiros de Malta

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    Performance Líder
  • 23 de jul.
  • 6 min de leitura

Os Cavaleiros de Malta eram e permanecem uma força econômica que se estende por todo o mundo. Frequentemente, ouvimos discursos de empreendedores ou economistas contemporâneos, ou de 30, 40 anos atrás, e lhes damos muito crédito. Os exemplos bons são sempre positivos e nos ajudam a melhorar, mas e se houvesse uma potência econômica iniciada por volta de 1100 d.C. que ainda hoje permanecesse como realidade importante?

Os Cavaleiros de Malta são exatamente isso. A grande intuição que pertence aos seus fundadores foi ter unido um nível metafísico àquele real e econômico. A Ordem de Malta, oficialmente chamada de Soberana Ordem Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, tem uma história milenar. A espiritualidade e a praticidade da ação se entrelaçam em uma metafísica articulada, que lhes permitiu manter, através dos séculos, uma identidade coerente e reconhecível.

A cruz octogonal que está no seu símbolo indica as oito bem-aventuranças evangélicas. Ao longo dos séculos, se difundiram por todo o mundo e estão presentes também na América do Sul. Malta e, de modo particular, a sua capital, Valletta, com seus bastiões à beira-mar, continuam a nos lembrar de sua força. Mover-se em direção à realidade que essa ordem construiu ao longo dos séculos abre a alma à possibilidade de se conhecer, de se mover no âmbito da ordem da vida. O intuito aqui não é mitificar os membros individuais dessa ordem. Como sempre acontece no âmbito humano, alguns deles viveram o mandato da ordem e outros não.

O que neste contexto serve é entender a sua essência, compreender aquilo que é a metafísica do líder nos negócios. Com esse objetivo, a editoria Saber & Poder da 35ª edição da Performance Líder resgata como Antonio Meneghetti instrumentalizou os Cavaleiros de Malta para abrir “a metafísica do business”. 

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Ao resgatarmos os Cavaleiros de Malta podemos mostrar como os santos italianos definiam a metafísica do líder de negócios. Junto às Comunas e às Senhorias, a Itália era rica de Repúblicas, seja terrestre, seja marítima, entre as quais se destacavam Veneza, Gênova, Pisa e Amalfi. Cada uma era autônoma no emitir as próprias leis, gerir a própria administração e todas contratavam em âmbito internacional. Por isso, o comércio – graças à atividade dos vários artesãos, empreendedores (a “média-burguesia”) – se expandia de uma nação a outra.

A Sereníssima República de Veneza foi um império que, por séculos, comandou até Constantinopla, Jerusalém, sobre todo o Adriático, na Grécia. Por exemplo, Marco Polo, embaixador, mercador e viajante veneziano, interessava-se por como chegar a comercializar com a China, passando pelo reino mongol fundado pelo grande Gengis Khan. Cada uma dessas cidades marítimas tem muita história e cultura. Por exemplo, toda a escola médica, da Grécia ao resto do mundo, passa por Amalfi, pequena cidade, mas potente república marítima.

Através de Amalfi, na Escola Médica Salernitana, eram passados os ensinamentos de Hipócrates, que foi sucessivamente salientado e ampliado pelo romano Galeno, do qual derivam todos os tratados e os fundamentos da medicina clássica antiga.

Em Scala, próxima a Amalfi, nasceu também um famoso personagem, Frei Gerardo Sasso, fundador dos Cavaleiros de Malta.

Depois da primeira Cruzada tornam-se uma “ordem religiosa cavaleiresca cristã” com estatuto próprio e dedicada à cura e defesa dos numerosos fiéis em peregrinação à Terra Santa. Depois da perda das terras cristãs na Terra Santa, os Cavaleiros procuram refúgio em Chipre, a seguir em Rodes, onde ampliam a sua soberania, e a seguir em Malta (como vassalos do rei da Sicília).

Como ordem medieval, terminam com a expulsão de Malta por ordem de Napoleão em 1798. Originariamente denominados Cavaleiros Hospitaleiros ou Hospitalários, enquanto surgiram como Cavaleiros da Ordem do Hospital de São João de Jerusalém, e depois conhecidos com o nome de Cavaleiros de Rodi. Originam-se como ordem hospitalária de estampa beneditina em torno da primeira metade do século XI em Jerusalém. Atualmente, a Soberana Ordem Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, representa o sucessor principal de tal tradição.

A Ordem está presente em mais de 120 países, não é empregada em âmbito militar, mas sim em iniciativas de natureza assistencial e beneficente. O escopo dos Cavaleiros de Malta era de assistir aos necessitados e servir a Deus. Por tal razão fundam albergues, hospitais, diversos tipos de serviços de assistência nas viagens, mas tornam-se também uma rica potência econômica. É a mais antiga “corporation” do mundo, que ainda hoje é potente.

Atualmente, os Cavaleiros de Malta estão difusos sobretudo na Inglaterra, França, Itália, América Latina e são muito operativos. É uma ordem religiosa, mas vive em modo livre. Os membros dessa Ordem são preparadíssimos no Direito, que hoje é fundamental para salvaguardar a propriedade e tantas outras coisas, e são muitas vezes empregados para instaurar as primeiras grandes relações diplomáticas entre um Estado e outro. Têm passaportes reconhecidos por todos os países, podem cunhar moedas segundo a sua Ordem e vivem livres.

Têm três votos: obediência, castidade e pobreza. Obediência para manter a unidade entre si, sob a orientação de um superior mestre da Ordem. Castidade porque é a liberação de tantos pesos, seja para a maior glória de Deus, seja para um melhor serviço à humanidade. Pobreza no sentido que o espírito que os conduz é a metafísica do business, típica do homem rico e superior que, mesmo tendo tudo, mantém em si mesmo a liberdade interior, o desprendimento do limite da riqueza: ele é o senhor do dinheiro e não é o dinheiro o patrão dele.

Os Cavaleiros de Malta em sua maioria vêm de pessoas ricas, sobretudo daqueles ricos que não querem transmitir os próprios bens à família, mas os deixam, para obras humanitárias, a essa instituição transecular e transversal em todos os países do mundo. Enquanto esses Cavaleiros constroem hospitais, albergues, relais etc., ganham, e esse lucro é continuamente reinvestido no próprio capital.

O espírito, a mentalidade, a psicologia interna da sua ambição está encerrada no seu símbolo, a Cruz de Malta. Trata-se de uma estrela com quatro pontas, que porém tornam-se oito, em que cada ponta corresponde a uma das bem-aventuranças pronunciadas por Cristo no Sermão da Montanha. Cristo um dia falou assim: 


Bem-aventurados os pobres no espírito, porque deles é o Reino dos Céus. 

Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.

Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia.

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus.

Bem-aventurados os operadores de paz, porque serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.


Esses oito princípios definem a beatitude, a alegria, a satisfação interna do homem líder em economia e política de serviço, isto é, poderes para dar função de apoio a formas melhores para a vida de todos. O homem com essa visão filosófica chega a possuir o “reino dos céus”, isto é, alcança a visão ôntica. Substancialmente, isso significa que esse homem, operador de economia social, chega a tornar-se íntimo da ordem da vida, daquele critério atemporal do direito, da intenção que a natureza e o cosmos ativam.

Chega-se finalmente a compreender o jogo da vida e se vive em uma permanente liberdade interior, porque tudo se torna claro, correspondente: o homem se encontra dentro do projeto, e é ele mesmo que o realiza. Como resultado, há a beatitude, finalmente o ser humano existe com transcendência na chegada de todas as suas tensões. “Bem-aventurados os pobres no espírito”: entende-se todos aqueles que, mesmo tendo muito, mantêm a alma afastada, transcendente, isto é, não são objetificados pelo ter. “Bem-aventurados os puros de coração”: o puro de coração é aquele que, na sua percepção, emotividade etc., não tem pesos instintivos de circuito biológico, mas vive na ordem do espírito total. É o homem que convive no próprio existir a imanência do mundo e do Deus da vida.

O homem das oito bem-aventuranças é aquele que realizou tudo de si, junto com os outros, mas sobretudo alcançou a posse do projeto da vida e, consequentemente, é beato, total.

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4 comentários

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Convidado:
01 de ago.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Material muito bom 🙂

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Convidado:
24 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Excelente conteúdo!

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Convidado:
23 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

fantástico!

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Luíza Lopes
23 de jul.
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Super interessante!

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